Sendas da Liberdade



SANGUE AMERICANO

América pungente
Quantos sonhos provocaste
Quantas práticas abortaste
Nos caminhos da opressão
Tuas tortuosas veredas
Tua dimensão continental
Tua vida agredida
Pela prática pútrida
De uma gente alucinada
Pelo poder e capital
Mas teu espírito resiste
Na vida candente de tua gente
Adolescente que sangra
Abandonada e confusa
Púbere e fértil
De outros sonhos e ideais...






O TOQUE DA POESIA

O poeta deve
não apenas
tocar

Mas fazer vibrar
a estrutura
do outro

Na poderosa diapasão
das palavras
não ditas

Na beleza exuberante
dos símbolos a brotar
da dimensão espiritual




A OPRESSÃO

O  poderoso senhor
Imponente e arrogante
Dava bifes a seus cães
E açúcar a seu cavalo
Na calçada jogada
Sobre a mãe encardida
A criança espoliada
Costelas expostas
Vidrava os olhos
Na morte por inanição



FERNANDO PESSOA E EU

Quando as horas passam
E sinto aproximar-se a hora fatal
E penso no quanto sou vazio
Nos meus sonhos, fertilidade, potencial
Caminhando pela vida vou
A contemplar e a meditar-me estou

Os homens apegam-se
Vivem uma vida louvando a razão
Sem senso, sem um sentido nobre
Sobre mim querem impor o vil brasão
Caminhando pela vida vou
A contemplar e a meditar-me estou

Negam a toda hora o meu sentido
Me lançam a pesos, impingem-me a contradição
Mas reencontro-me e retorno
No universo vejo-me
Pois o egoísmo o destino vão
Sofro da materialidade e pesada reflexão
A contemplar e a meditar-me estão



RETRATO FALADO

Estou muito cansado
Não suporto a opressão
Todo dia é segunda-feira
E acordo ressaqueado
Sou espoliado pela inflação
imposto de renda
imposto predial
imposto sindical...

Sou apenas um cidadão
e compro carne
e frutos
arroz e feijão
pago colégio
condomínio
telefone
sou elite brasileira
e de que devo reclamar?

Da falta de sonho
da secura do amor
da rotina e da dor
a loucura vou driblar
eu queria imensamente
ver as crianças florescendo
o amor inebriando
as pessoas se amando
violões na noite ressoando
a gente a cantar

Mas o mundo é opressão
Nossos filhos sofrerão
E o que vou proclamar?
Sou amante da paz
de riso alegre
de música arrebatadora
da poesia generosa
e neste mar vou me lançar



DUELO

Imagino-me
e é real,
Estás deitada
e eu inteiro
O assombro e a nudez resplandecem
Noites azuis mal dormidas
Manhãs brilhantes ressaqueadas
Lutas intestinas no calor da noite
Enquanto a lua, curiosa,
penetra pela janela escancarada
iluminando os brancos lençóis
Por que qualquer opressão?
Por que?
Velha contradição...
Enquanto meu corpo
oprime o teu
Enquanto teu espírito rebelde
oprime o meu
A luta prossegue interminável
É uma guerra dialética
e insidiosa
a espelhar-se no infinito
És a virgem exigente
e eu o pecador
És a verdade esplendorosa
e eu, da existência, a dor...



O TECNOCRATA

Tu és aquele que te sentas
E ficas maravilhado a perceber
O que existe no teu frio computador
Que emite números ao teu vão querer

E o exaltas e qual uma máquina
Ficas horas no teu inútil sonho
Sem saber que o teu destino
É um reflexo enfadonho

Mundo vazio em que te perdes
Esqueces dos seres que te esperam
Dentro e fora do teu eu

Eles estão sozinhos e somente feres
Interiores mundos que te cercam
Esperando por uma essência que se perdeu



BIOPRESSÃO

A pesada sombra agigantou-se
O medo e o espanto cresceram
O suor borbulhou nos poros
O coração disparou
E as artérias da testa
distenderam-se
pulsaram
No ritmo louco da emoção
Iminência da morte
Medo de perder-te, minha vida,
Do escurecer fatal da limitada visão
O cair na inconsciência
O perder o fôlego
O afogar-se sem socorro
Sem uma mão amiga
A nos içar da tenebrosa visão
Do povo profundo
Do mergulho sem volta
Este lago de sangue
Pântano movediço
Deste falido coração...



TARDE DE DOMINGO

O vermelho do sol
luzia
entardecia
A luz dos teus olhos
reluzia
resplandecia
na chama interior
O dia morria
a tristeza
crescia
Interiormente
eu sabia
passageiro efêmero
deste dia
pois não me pertencias
e eu jazia
inerte na dor



ODE A DEMÓCRITO ROCHA

Muitas vezes, confesso
surgiu o desejo de novamente
ver-te na praça do ferreira
a discursar de tribuna
Quando enfrentavas o arbítrio
e empolgavas com tua verve poética
o peito de tantos cearenses

E ias
sem guarda-costas
Sofrias
a opressão de tua época
a ditadura de vargas
a censura despudorada
a massacrar o pensamento
a sufocar o ideal

O teu jornal perpetuou-se
mas, a opressão permaneceu
Orós foi a pinça hemostática
que confirmou tua antevisão
E os poetas continuam
ansiando pelos mesmos sonhos
de liberdade e de amplidão

E o Ceará,
a vasta rede capilar a queimar-se
na soalheira pobre,
raquítico e anemiado
É o gigante com a artéria aberta
resistindo e morrendo
resistindo e morrendo
morrendo e resistindo...




A MORTE DO POETA

No momento crucial
em que a agonia agigantou-se
No peito do velho poeta
A dor existencial, tantas vezes cantada,
materializou-se
E o levou ao paroxismo
à cianose
à convulsão final
De repente,
a mutação lenta,
profunda,
real,
ao invés do complexo ser
Da contradição viva
Que era existência e por isso,
decadência
matéria,
putrefação
A essência pura transbordou
Em pensamento,
Pão do espírito,
Força transcendente
A impulsionar
Almas e mentes
Das novas gerações.




AOS POETAS DAS AMÉRICAS

Ó  poetas que discursais em tom candente
Enfrentando pesadas estruturas
E exaltando o grande povo das Américas
Ó poetas que sondais o misterioso
O profundo que habita no coração dos homens
Nos vossos versos vibram milhões de vozes
Saístes (e eles não sabem) das exíguas cadeias
Conseguistes (estando presos)
a visionária dimensão
E alçastes vôo nas asas da imaginação
Pairastes acima do mundo
Levados pela força inexaurível
Dos símbolos poderosos que extravasam
Em palavras, versos e canções
E chegastes, eu bem sei, perto da eternidade
Incendiando com o sol.
Os corações que anseiam
por um alvorecer
liberto da opressão




SENDAS DA LIBERDADE





POESIA

O  exercício do poeta é desnudar-se
e neste exercício eu me lanço
pode ser que você goste
desgoste
deteste
o látego da palavra
a força da metáfora
a emoção incontida
mas eu me manifesto  e sangro
e você será a inevitável conseqüência 



O CAMINHO DAS ÁGUAS

Somos ricos
córregos e riachos
Cada um segue
seu próprio rumo
seus desvios
cortando a terra
fertilizando margens
Amar-te é como viajar
as planícies cruzando
na direção do mar

E nós
marcando a terra
sonhando um dia
o encontro com o azul
na doce amplidão da prece
nas vagas fortes
que cruzam a imensidão oceânica
Somos rios
sonhando o mar



SENDAS DA ESPERANÇA

Ser 
não ser
meu complexo ser
muitos são os caminhos a percorrer
sendas cheias de esperança
selvas verdes e metálicas
bosques cheios de madressilvas
caminhos que conduzem a jardins
flores, róseas flores a brotar do sonho

Andei por caminhos estranhos
nesta América agredida
Vivenciei a dor da loucura
e a desesperança
de tantos irmãos
Presenciei o sofrimento das mães
tantas mães e filhos
de braços estendidos
esquálidos a esperar

Estive com o operário
de faces enrugadas
mãos calejadas
de labutar
olhos brilhantes
presença vivificante
Amor, esperança e fé
Assisti o espetáculo amargo
a festa arrogante
de uma gente seca
que tenta retirar do homem
o humano significado

Mas a transcendência me alimentou
e este pão estou
a distribuir
Vinde irmãos
Saiam do meio desta tormenta
Onde as árvores estalam
E são vergastadas pelo vento
Vinde e bebei
Água de fonte
Vinho inebriante
Deste jardim luminoso
Onde as flores brotam
A paz floresce
E um céu cheio de acácias
Exala eternos perfumes
E conforta a nossa dor




SIGNOS E EMOÇÕES

Diante  de tantos olhos e pensamentos
com o pudor que me desnuda
eu quero a liberdade
de lançar símbolos
e significados
atingindo a multidão

A minha boca está seca
as minhas mãos vazias
diante do deserto informal
Eu quero a espontaneidade
Vibrar com a deidade
Pensamento, vinho e coração

Eles dizem que isto é loucura
que a utopia não se pode alcançar
querem exterminar a doçura
das palavras, de poesia no ar
Não sabem que
 o futuro vibra no agora
e temos tudo a esperar
sentir com intensidade
partilhar a necessidade
do amor, a amplidão





ODE A JÁDER DE CARVALHO

As  pedras monolíticas de Quixadá
Estendiam suas pesadas sombras
Sobre as águas do Cedro
Azul oceânico espraiando pelo sertão
O vento da serra do Estevão
Amenizava a canícula fervente
Do ressequido sertão
No mosteiro São José, eu quedava a ouvir
A música das novenas e dos pássaros
Momento ancestral de paz
cósmica, posso dizer
Já pressentido por Jader
No mundo irrequieto de sua poesia
“Então minha mãe
professora de minha infância
apontou ao longe, à margem do Cedro
deitada,
calada,
no seu ninho de rochas
a Galinha Choca”.

Eu sei, ó poeta,
Tua voz permanece
Teu calor humano enobrece
A raça nordestina
Assim vives
E ressuscitas cada vez

Quando espaço e tempo se apagam
No momento primordial
Da comunhão
E plenamente existes, ó poeta
Ouço tua voz sussurrar
Acima do vento que agita as flores
Subindo por entre as nuvens ligeiras
E estás mais uma vez
A enaltecer a perene beleza
Do Homem e do Sertão!



O NASCER DA PRECE

Ah! Noite
Noite de reluzir de estrelas
Longe da cidade em néon perdida

Ah! Brisa
Suave brisa
Sussurros íntimos
Na solidão

Ah! Prece
Que nasce da profundeza d’alma
E cresce na direção do espaço
Humano espaço
Clara amplidão



(Participou de Edição do Natal do Poesia Plural em Dezembro de 1991)





ARTE


Que a flecha voe,
Cruze o ar metafísico
E encrave-se na práxis

Trepidação de golpe
Tempestade austral
No horizonte do real

Céu trovejante
Chuva abundante
Fertilizando a imensidão

Ferimento de flecha
Sangue azul gotejante
Espantando a estagnação

Mundo renovado
É o pensamento afiado
Espiritual revolução



A PALAVRA E O TROVÃO

O pensamento é o vento
e a palavra é o trovão
anunciando a chuva fértil
alegria que reveste os campos
de verde, flores e pétalas
no interno da ação espiritual

O verbo é quem constrói
e nos solidifica
o verbo é a profecia
que faz o nascer do dia
construindo a escritura
edificando a poesia

Falar no amor gigante
que enche as nossas vidas
tem que ter a arte dos versos
a arte das palavras
para expressar o indizível
manifestando o onipotente

É necessário exaltar o verbo
essencial é viver o amor
pois na busca do sentido
enfrentando a aridez desértica
o pensamento é o vento
 e a palavra é o trovão




PSICOTERAPIA E ARTE

Trabalhar na aquarela viva
das emoções
enfrentando as nuvens negras
da depressão
as tempestades e vendavais
da alma humana
é preciso arte
ciência
para recolorir paisagens devastadas
reordenar o caos das alucinações
o ressurgir da vida
água a brotar no deserto
fonte cristalina a cantar
entre as pedras
fazer renascer o amor
nos desencontros
da existência compartilhada




ALVORECER ESPIRITUAL

Existem aqueles dias
em que some todo o alento
desaparece toda a chama
diante da tormenta e do vento

É nestes dias atrozes
em que a minha fé no homem vacila
em que eu desacredito de tudo
e o mundo aos meus pés oscila

E mesmo nesta profunda aridez
eu sigo como cego tateando
e as palavras brotam dos lábios
em preces a deus procurando

E acontece assim, não sei como
a tristeza vai se espargindo
assim como a neblina que foge
diante do sol ressurgindo

E os caminhos dos espíritos se alargam
os jardins voltam a florir
os frutos começam a brotar
são as sendas de deus percorridas
por pernas que ainda vacilam
na crença de muito amar




CÓSMICA VISÃO

Ah! A dor
De te ver e te possuir
Sabendo que não és minha
Por mais juras de amor
Por mais que cresças na paixão
De seres minha
Não és minha
A mim não pertence o teu destino
E um dia
Por mais dias
Por anos

Que estiveres a meu lado
Não serás minha
Irás partir um dia
Levada pela força do destino
E o amor permanecerá
O azul brilhará
As nuvens a correr
E te verei na cósmica dimensão
E estarás semeada
No Universo


BOEMIA


Acontece naquelas noites
iluminadas de plenilúnio
e por acaso sentam-se na mesma mesa
as pessoas certas
sensíveis
ao ruído das ondas
à voz do vento
à amplidão do mar

E o violão plangente
embala ancestrais canções
os corações se tocam
e o amor abre seus canais
jorrando em nossas vozes
são gerações que voltam
É Vinícius
Pixinguinha
Caetano
Chico Buarque e Cartola

A boemia é magia
sensibilidade e poesia
alcançando a união mística
regada a leve cerveja
embalada ao som dos violões



OCEANO

Eu quero, amada
que versos brotem
do meu pensamento e dos meus lábios
com a força do repente
na alegria dos cantadores
Que não sejam palavras vãs
e não se percam
no vento da tarde
mas que se gravem no teu coração
que te impulsionem
na direção do ser
que nos façam descobrir
o mistério de conviver
Fascinante é penetrar
no mundo dos enigmas
e mergulhar
na profundeza
destes oceanos
que se espraiam
em nós





DESCOBERTA

A cada dia
eu te descubro
e no início
havia as contradições
e eu só via
negror nos teus olhos
e cabelos
Mas agora eu vejo claridade
na tua pele macia
nas tuas carícias
que brotam no calor da tarde
e na medida em que partilhamos
das maravilhas do ser
quando nos aprofundamos
na divinal essência
eu vejo, és multifacial
espelhando raios do infinito
que abrigamos em nós.



ELEGIA A SÃO JOÃO DA CRUZ

Onde  eu pensava existir o tudo
Ali o nada habitava
e onde o vazio imperava
manifestou-se o tudo

Onde a riqueza lavrava
a miséria ali habitava
e na pobreza e renúncia
a real riqueza se revelava

Querendo cortejar o grande
Ali encontrei o mesquinho
ao estender a mão ao pequeno
o grande eu encontrava

Procurando o todo saber
o conhecimento ali minguava
na noite escura de fé
a mão chagada me guiava

Ao conhecimento do tudo
pela renúncia ao nada
na negação dos sentidos
a Deus todo me transportava

Chegando à claridão
que a noite alumiava
transcendendo toda ciência
no êxtase eu habitava
a noite escura da fé
em aurora se transformara...





MANANCIAL

De  onde vem estas palavras
que brotam de dentro de mim?
De onde os espirais de poesia
que jorram como um fio sem fim?
De onde me vem sentir
esta poderosa solidão?
De onde a luz irradiante
a cegar a escuridão.

Os rios caudalosos cantam na floresta
As montanhas se elevam majestáticas
O incêndio da alvorada ilumina a manhã
e o mar clama na praia
O universo clama por ti
Eu tenho sede de ti
deste amor que inebria
e só tu sabes gerar
Cansei de aridez
noites vãs, mal-dormidas, banais
Quero mergulhar nas profundezas
Beber no manancial
Crescer neste amor gigante
Voar nas asas do vento
Dormir ao barulho da fonte



OÁSIS DO ENCONTRO

O que dizer dos olhos que não velam?
Das mãos cerradas e contritas?
Da boca que não clama?
Da loucura que não ama?

Pobres olhos contraídos
Olheiras escuras dos que não dormem
Corpos perdidos no deserto da azáfama

Olhos que se fundem
Mãos que se entrelaçam
Sentimentos que transbordam
Doce loucura dos que amam
O manancial se espraia
Sobre seixos e lodosas pedras
Banhando na torrente
Existências compartilhadas
No oásis do encontro.

Fortaleza, 20/11/1992





BARCOS AO MAR

Velas e bandeiras desfraldadas
verdes, brancas e vermelhas
empinadas ao sol de iracema
barcos velozes
impulsionados de poesia
os portais de iracema
elevam-se e deles
transborda o mar
verde mar
fértil mar
que enche nossa visão
invade nossas mentes
só como sabe fazê-lo,
o mar
A poesia é generosa
e deve ser proclamada
sem medos
quebrando o silêncio
ecoando na solidão
deve ser vela enfunada
na embarcação da existência
nos conduzindo pelos mares
pelos riscos e perigos
na direção do porto
ponto distante
que a vista começa a desvendar



O JARDINEIRO

O destino me conduziu
a ser pai
pai de flores
esbeltas flores
rosas, orquídeas, lírios e jasmins
este jardim
exala perfumes
de um misto de flores
e árvores
minhas filhas
risos, cantos e amores
são árvores e flores
frutos e fertilidade,
beleza e encantamento
sombras acolhedoras
de árvores seculares
enverdecidas ao sol da primavera
e assim me sinto
um jardineiro
no precioso jardim
onde rosas se abrem
pássaros cantam
insetos entrevoam
as abelhas colhem mel
Cláudia
Priscila
Aline e
Raquel.


UNIVERSOS

No cruzamento com as pessoas
na vida e no Meireles
somos universos
universos que se tocam
ao sabor das saudações
universos que se entrelaçam
na penumbra das confissões
mas sempre universos
fascinantes
com seus mistérios
amplidões
com seus interiores
como casas
às vezes, prisões
universos de alegria
hostilidade
também, tristeza
com a visão que emerge
de um grande universo
que nos envolve e acalenta
ponto comum que nos atinge
no mistério do amor.



MENESTREL

Na busca da identidade
Um dia
Descobri-me menestrel
Surgido das terras iluminadas
Do Ceará
Menestrel para falar poesias
E entoar canções
Lançando signos
Símbolos
Versos
Emoções
Esticando cordas e velas
Existenciais embarcações.

Madrugada em Fortaleza, 03 de dezembro de 1992.




ASAS DA TRANSCENDÊNCIA

Deus é o grande poeta
anunciado pelas cores mutantes
a agitação dos pássaros
na festa do amanhecer
Sua essência está no amor
o eterno tema cantado pelos poetas
desde tempos imemoriais
e cruza o tempo e o espaço,
os séculos e a matéria
na direção da plenitude.
Mas sua transcendência
melhor se manifesta
nos mistérios da existência
nas emoções que brotam
de cada humano ser

Deus é o grande poeta
que faz chover rosas e pétalas
lançando o fulgor da santidade
sobre as sombras do viver

Juan de la Cruz
Francisco de Assis
Paulo de Tarso
Teresa de Lisieux


Ó mãos, sagradas mãos
De pregos transpassadas
Ó, fonte de água viva
Que de Cristo jorra
O ressuscitado reluz
Como o sol ao meio dia.


Inspirado em 22 de outubro de 1992.

2 comentários:

  1. Parabéns, belíssimo momento artístico, com poemas emocionantes e imagens muito bem escolhidas. Paz, Amor e Alegria pra vc..abraços fraternos, Guida Linhares

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Olá, sou João Dummar Filho.
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