domingo, 18 de julho de 2010

ALGUMAS PALAVRAS A JOÃO DUMMAR FILHO



Prefácio

         Dentro  dos quadros da Literatura Cearense, nos nossos dias, João Dummar Filho surge, irrecusavelmente, como um dos valores novos que mais se destacam, sendo um poeta que caminha, a passos largos, para a conquista de uma posição definitiva em nossas Letras. Para tanto, basta que mantenha fidelidade aos ideais poéticos que o iluminam e trabalhe, com de dedicação, sua vocação literária.
      Recolho essa impressão da leitura de seus poemas, em que ele demonstra apreciável capacidade de cantar e de erguer a voz para louvar as cousas eternas e registrar o que, no efêmero, tem alguma resplandecia  e encontra expressão no plano emocional ou espiritual.
         O livro ora entregue ao público revela os seus cuidados artesanais na elaboração dos versos, o seu trabalho com as palavras fundamentais e secundárias, todas unidas, harmonicamente, para a criação de momentos significativos em sua arte poética.
         Li, com maior interesse, os poemas intitulados Tempos de Opressão e Sendas da Liberdade. Na primeira parte, ele considera que o grande papel da poesia é “fazer vibrar a estrutura do outro, na poderosa de diapasão das palavras não ditas, na beleza exuberante dos símbolos a brotar da dimensão espiritual” E vê, com alguns acentos whitmanianos, a América Pungente, os problemas sociais na dicotomia riqueza-pobreza, a ressaca da vida e dos sonhos, as contradições do mundo, a tecnocracia, a sombra do medo e a ausência de amizades. Homenageia Fernando Pessoa e relembra o poeta e avô Demócrito Rocha, o cantor do  Rio Jaguaribe.
         Na segunda parte, destaca o látego das palavras na força do poema e da metáfora; lembra a necessidade de fé e de esperança numa era de flagrante desumanidade; louva a liberdade, a utopia e a douçura das palavras; presta reverência à memória do poeta Jader de Carvalho e canta a cidade perdida em néon, o amor, poder do verbo, as emoções, as chuvas, as tardes, os pássaros, as florestas, as fontes, a busca de Deus, as sendas transcendentais, os plenilúnios que inspiram a vida boêmia e outros temas de igual interesse, não esquecendo de pagar tributo à grandeza de San Juan de la Cruz, o grande poeta da Espanha e santo da Igreja.
       E assim João Dummar Filho vai construindo os seus caminhos, numa poesia que busca legitimar-se na procura de fontes verdadeiras, no encontro com as cousas simples e perenes, no louvor justo e sincero, na nostalgia da vida perdida, no amor aos semelhantes, na paz e nas trilhas da esperança.
        Creio que o poeta não chegou à definição final de seu discurso lírico, pois a linguagem poética passa, necessariamente, por inúmeras experiências de fundo e forma. Mas procura evitar a horizontalidade, conseguindo resultados que o recomendam como um autor em permanente ascensão, amadurecendo cada vez mais a poesia. E para isso dispõe do principal elemento: o talento, que é tudo, em Literatura.


Artur Eduardo Benevides
Presidente da Academia Cearense de Letras

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